Fascismo, Nazismo,
Bolsonarismo e Paturebismo: Bibliografia básica ou da in/utilidade dos Antolhos
José Eduardo de Oliveira Jornal de Patos sábado,
outubro 22, 2022
Texto e imagem por José Eduardo
de Oliveira
Para os órfãos e órfãs, para as
viúvas e viúvos da Covid 19.
“Em
alguma passagem de suas obras, Hegel comenta que todos os grandes fatos e todos
os grandes personagens da história mundial são encenados, por assim dizer, duas
vezes. Ele se esqueceu de acrescentar: a
primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.” Karl Marx
“Oprimidos, guardai vossas desavenças.” Bertolt Brecht.
Outro dia
um ex-aluno me fez uma pergunta que levou a outra, a outras e várias dúvidas.
Que devo
ler para entender sobre o fascismo e o bolsonarismo? O Bolsonaro é fascista ou
é nazista? Já houve fascismo no Brasil? Em Patos tem fascistas?
Calma eu
disse! Primeiro que não sei mais sobre algumas dessas coisas e as outras
respostas não poderão serem aceitas por todo mundo. Então tentarei responder
para você e para pessoas que acreditam em mim e na forma como eu escrevo. E que
procuram, dentro possível encarar a realidade sem os filtros do poder.
Porque os
bolsonaristas e as bolsonaristas que conheço, aliás, umas bem próximas de mim,
só acreditam, primeiro, em Bolsonaro e em segundo e por causa dele, não
acreditam em nada que seja contra ele e principalmente se for relacionado ao
candidato Lula, que aliás, acreditam que é a pior coisa que pode acontecer e é
o que mais temem para o Brasil é que ele seja reeleito. Se pergunto por que,
eles temem que ele volte a roubar, que o comunismo seja implantado no Brasil,
que ele fechará as igrejas, que os comunistas comem criancinhas, não que sejam
pedófilos, como falaram desse presidente. E outras insanidades. Mas os
verdadeiros motivos, dentre alguns, é que não querem perder o poder e o
dinheiro que estão ganhando nos últimos quatro anos. Muito dinheiro. Dinheiro sujo.
A
primeira pergunta é fácil, que livros ler sobre o bolsonarismo? E desde já
disponibilizo infra, bibliografia e alguns textos que tenho acesso, alguns
estão em PDF, entretanto, desde 2018, quando Bolsonaro foi eleito, os títulos
aumentaram e muito, e a maioria são contra ele e o seu governo, porque, é muito
difícil escrever alguma coisa positiva a seu respeito, sobretudo em relação ao
seu comportamento letárgico e mortal diante da pandemia da
Covid-19. E por outro lado, seu comportamento, racista, agressivo e
despudorado contra tudo e todos, principalmente contra as mulheres,
jornalistas, LGBTs e seus opositores.
Um dos
poucos livros que o elevam, absurdamente à categoria de “mito”, é um escrito
pelo filho, claro, e colaboradores de 2017, “Mito ou verdade”, uma espécie
fajuta do “Mein Kampf” ou “Minha Luta”, idealizada por Adolf Hitler,
quando ele estava no xadrez em 1924, depois de tentar dar um golpe de estado.
Tem um
outro, de 2019, de Luiz Maklouf Carvalho, “O Cadete e o Capitão; a vida de Jair
Bolsonaro no quartel.”, em que nos relata algumas peripécias do atual
presidente enquanto ele estava na caserna, principalmente por ser um
insubordinado contumaz, o que lhe valeu quinze dias de prisão, outras delas,
talvez a mais digna de nota, foram os planos de explodir bombas em quarteis
para protestar e conseguir aumento de seus soldos ou contra a corporação que
hoje o acolhe como herói. Apesar de provas rigorosas e o processo contra ele,
não deu em nada, e como geralmente acontece em corporações militares ou de
segurança, ele foi promovido e enviado para a reserva depois de cerca de 18
anos como militar. Melhor nem comentar.
Aí o
coitadinho virou político, vereador no Rio de Janeiro, onde aprendeu as manhas
da coisa, e deputado federal por 27 anos, e na maioria dos casos, eleito por
urna eletrônica e o mangango de boa. E agora o presidente da pandemia, o
genocida, que quer ser reeleito, custe o que custar. O resto todo mundo sabe,
mas os bolsonaristas e as bolsonaristas, que nunca ouviram falar e nada sabem
sobre fascismo, nazismo, franquismo, salazarismo e varguismo, e têm raiva de
quem sabe, querem reelegê-lo. Se isso não acontecer ele irá questionar as urnas
que o elegeu várias vezes, inclusive presidente, ele pretende dar um golpe para
se perpetuar no poder, como já alardeou aos quatro ventos, consideram que ele é
melhor que Lula.
Quantos
aos outros livros a relação está infra. Aproveitem, pois se houver um
“Revertere ad locum tuum”, ou seja, que os mortos retornem ao
cemitério, ele que provavelmente nunca leu um livro, mande queimar todos o que
ele não gostou, mesmo não lendo, com fez Hitler e outras pessoas ao longo da
História da Humanidade, exceto, o que se olha ao espelho: o mito dos mitos.
Sobre a
pergunta: Em Patos tem fascistas? A História, como lapidou Cícero,
que é a mestra da vida (historia magistra vitae), com o tempo nos dirá
se algumas ervas daninhas da cidade, que se propugnam como salvadores e
salvadoras da pátria, irão sobreviver.
OS MORTOS
“Foi como
se naqueles últimos minutos estivesse resumindo a lição que este longo curso de
maldade humana [o nazifascismo] nos ensinou – a lição da temível banalidade
do mal, que desafia as palavras e os pensamentos.” Hannah Arendt
“Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar.” Fernando Pessoa
Antes de
falar do fascismo criado por Benito Mussolini e do nazismo ou
nacional-socialismo criado por Adolf Hitler, vamos falar de uma coisa que o
bolsonarismo não se preocupa, nunca se preocupou: os mortos. Os mortos da
Segunda Guerra mundial causada pelos nazifascistas.
Serei
breve, pegarei apenas algumas fontes, porque elas são muito parecidas com todas
as outras.
A
primeira, onde nós mortais pedimos socorro, é a Wikipedia, que nos informa:
“As
estimativas para o total de mortos na guerra variam, pois, muitas mortes não
foram registradas. A maioria sugere que cerca de 60 milhões de pessoas morreram
no conflito, incluindo cerca de 20 milhões de soldados e 40 milhões de civis.
Somente na Europa, houve 36 milhões de mortes, sendo a metade de civis.” Entre
os civis, claro, estão incluídos, as crianças, mulheres, idosos e o restante da
população.
Uma outra
fonte trás outros números, mas muitos semelhantes:
“A
maior guerra da História é também a de maior número de vítimas: 55 milhões de
mortos, 35 milhões de feridos e 3 milhões de desaparecidos. Nunca as perdas
humanas entre a população civil haviam sido tão importantes: os ataques aéreos
[cerca de 1 milhão e meio de vítimas civis], a luta de guerrilheiros ou
partisans, os extermínios em massa [de 4 a 5 milhões de judeus], as deportações
aos campos de trabalho e de concentração, as represálias e as
imigrações ocasionaram a morte de uns 30 milhões de pessoas.” Sem contar os
gastos e a destruição de cidades, campos de agricultura etc. [KINDER;
HILGEMANN, 1983, p. 240.] E isso aconteceu com pessoas de todos os continentes,
por isso foi chamada de Guerra Mundial, entretanto, a Alemanha nazista e Itália
fascista, como causadores e perdedores, foram arrasadas material e moralmente.
E quem
começou a Segunda Guerra Mundial? Resposta: a Alemanha Nazista, desde 1933, de
Adolf Hitler. As causas foram inúmeras, mas sobretudo porque o ditador Hitler,
depois de criar um estado totalitário, sentiu-se forte o bastante, e sua
insanidade como o “Führer” ou líder, uma espécie de chefe com moral, poderia
dominar o mundo.
Depois,
Benito Mussolini, “Il duce” ou líder, fascista no poder desde 1922, engrossaria
suas fileiras, após o início da Segunda Guerra em 1939. Daí pra
frente, o caldo teria engrossado com o sangue de mais de 50 milhões de mortos.
Hitler e Mussolini pensaram que seria só uma guerrazinha...
Apenas
para lembrar, outras das centenas e centenas de atrocidades desumanas cometidas
pelo nazifascismo em seus laboratórios da perversidade:
“A Segunda Guerra Mundial
despontou após a invasão nazista na Polônia em setembro de 1939 [...] Durante
meia década seguinte, os nazistas e seus aliados matariam mais ou menos 200 mil
ciganos, 200 mil “deficientes” físicos e milhares de homossexuais, esquerdistas
muitos outros dissidentes, enquanto a “solução
final” de Hitler assassinou 6 milhões de judeus em câmaras de gás, esquadrões
de fuzilamento, desnutrição e falta de tratamento médico
nos imundos guetos e campos de concentração, espancamentos ou
trabalhando com desespero suicida até a morte. [...]
Então, essas são as apostas dessa
conversa. Quando falamos de fascismo, não devemos nos afastar muito, no
pensamento, das pessoas que coletaram os cabelos, dentes de ouro e
sapatos daqueles que eles exterminaram. Quando falamos de antifascismo, não
devemos esquecer que, para muitos, a sobrevivência foi a personificação física
dessa luta. [...]
Finalmente, vamos acender uma vela
para todas as vítimas do Holocausto, incluindo aqueles que caíram nos
levantes armados nos campos de concentração e guetos de Bialystok, Varsóvia,
Cracóvia, Bedzin, Czestochowa, Sosnowiec, Sobibor, Treblinka e Auschwitz.” [BRAY, 2019. P. 101-2]
O
FASCISMO, O NAZISMO E SEUS REBENTOS
O Partido
FASCISTA foi fundado em 1919, pelo italiano Benito Mussolini [1883-1945], que
já havia sido quase de tudo, desocupado, soldado, jornalista, socialista. Além
de ter sido preso por agitação política inúmeras vezes. Em 1922,
usando de todas as mentiras, truculências e violências possíveis, chega ao
poder criando o “estado fascista italiano” onde permaneceria até sua vergonhosa
queda em 1945.
O que foi
o FASCISMO?
“Em
geral, se entende por Fascismo um sistema autoritário de dominação que é
caracterizado:
- pela
monopolização da representação política por parte de um partido único de massa,
hierarquicamente organizado;
- por uma
ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no
desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de
classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema
de tipo corporativo;
- por objetivos
de expansão imperialista, a alcançar em nome da luta das nações pobres contra
as potências plutocráticas; [militarismo, guerra]
- pela
mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma
socialização política planificada, funcional ao regime; [povo gado]
- pelo
aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência e do terror;
- por um
aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de
comunicação de massa; [mentiras, mentiras e mais mentiras, hoje, fake
News]
- por um
crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser,
fundamentalmente, de tipo privado;
- pela
tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de
acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações econômicas,
sociais, políticas e culturais.” [SACCOMANI, 1977, p. 466]
O
NAZISMO, diminuitivo de PARTIDO NACIONAL-SOCIALISTA
DOS TRABALHADORES ALEMÃES, foi fundado em 1920, pelo austríaco, Adolf
Hitler [1889-1945], que já havia sido quase de tudo, desocupado, soldado,
artista plástico, socialista. Além de ter sido preso em 1923 por tramar um
“putsch” ou um golpe de estado para derrubar o governo de Berlin. Em 1933,
usando de todas as mentiras, truculências e violências possíveis,
chega ao poder criando o “estado nazista alemão” ou o “Terceiro Reich”, onde
permaneceria até sua vergonhosa queda em 1945, claro e uma mortandade de cerca
de 60 milhões de mortos e um incontável número de mutilados e inválidos, saldo
da Guerra que ele engendrou.
O que foi
o NAZISMO?
Pode-se
dizer, que as ideias dos fascistas foram todas utilizadas por Hitler, que
copiou e melhorou as premissas de Mussolini, ou seja, a criatura superou o
criador.
As
palavras-chaves do nazismo são: nação, raça, espaço vital [Lebensraum].
a comunidade do povo (Volksgemeinschaft), liderança, ação,
autoridade, sangue e terra, frente e batalha.
Tanto o
nacionalismo agressivo alemão, quanto a doutrina do espaço vital, ou seja, a
expansão territorial estariam ligadas à derrota que sofreu na Primeira Guerra
Mundial [1914-1918], que levariam automaticamente ao militarismo característico
do nazismo.
O
nacionalismo antieslavo, e antissemita, dos nazistas levaria ao
racismo e depois aos campos de concentrações para os judeus, e também à ideia
básica de Hitler era a de manifestar o princípio expansionista do Estado
nacional mediante o princípio imperialista do predomínio dos elementos
"superiores" biológica e racialmente, orientando seus ataques contra
os eslavos, racialmente "inferiores". Ou seja, um darwinismo social
nacionalista, racista.
Entre os
fatores que caracterizam os inícios do Nacional-socialismo cumpre ressaltar o
papel relevante desempenhado pela ascensão espetacular e pela veneração quase
religiosa do Führer, baseado completamente no princípio do líder. Ao centro de
tudo encontrava-se a figura de Adolf Hitler. Em termos de psicologia social,
ele representa o homem comum, em posição de subordinação, ansioso para
compensar seus sentimentos de inferioridade através da militância e do
radicalismo político. Seu nascimento na Áustria, seu fracasso na escola e na
profissão e a experiência da camaradagem masculina durante a guerra, forjaram,
ao mesmo tempo, sua vida e a ideologia do Nacional-socialismo. [BRACHER, 1977, p. 806-812]
Entretanto,
o FASCISMO, teve outros rebentos, dentro ou em outros lugares fora da Europa,
inclusive no Brasil. E eles ainda não param de nascer, como se houve
um banco de espermas de Mussolini e Hitler, e de tempos em tempos liberam
alguma matriz que fecunda, não úteros, mas cérebros de serpentes
shakespearianas.
Um deles
foi o português, António de Oliveira Salazar [1889-1970], seu regime, o
SALAZARISMO, iniciado em 1928, mas implantado de fato em 1932, duraria até
1968, foram 36 anos, e o seu “Estado Novo”, aos moldes do fascismo,
infernizaria, não só a vida dos portugueses na Europa, mas também os que
moravam em suas colônias africanas e asiáticas. Não sei se vale à pena
ressaltar os últimos dias desse déspota desalmado que não largava o osso
descarnado e humilhado da nação portuguesa, mas irei relatar.
Ao fim da
década de sessenta, o regime já não era o mesmo, a senilidade de Salazar
prejudicava gravemente o próprio salazarismo. A mudança ocorreu da maneira
menos esperada. Nos primeiros dias de setembro de 1968, Salazar caiu de uma
cadeira, batendo a cabeça no chão, depois que ele teve uma hemorragia cerebral,
foi substituído por Marcelo Caetano. Entretanto se o ditador caducou e caiu, o
regime só cairia no dia 5 de abril de 1974, com a Revolução dos Cravos.
[MARQUES, 2016. P. 199-218]
Outro
filhote dos fascismos europeus, foi o espanhol, Francisco Franco [1892-1975].
Este só implantaria o seu regime, o FRANQUISMO, em 1939, e só deixaria o poder
com a sua morte em 1975. Entretanto, a Espanha, desde que a
monarquia foi derrubada em 1923, não teria um só minuto de paz em muitas
décadas.
Dentre
outros problemas, a Guerra Civil [1936-1939], entre os republicanos e os
nacionalistas. Em 1937, aconteceu o sangrento bombardeio à cidade de Guernica,
depois eternizada numa tela de Picasso. Este massacre foi perpetrado por
Franco, com o auxílio de aviões de Hitler, e serviu de experimento e
treinamento dos pilotos alemães para outras carnificinas. Ele só não matou mais
do que a Gripe Espanhola, porque só assassinou em seus territórios. [GARZA,
1987.]
O
NAZIFASCISMO, aportaria nesse nosso solo pátrio, claro, do jeitinho brasileiro,
com Getúlio Vargas [1882-1954]. Este, depois da chamada Revolução de 1930, um
golpe de estado, começaria a urdir o que ficaria conhecido em nossa História
como VARGUISMO ou GETULISMO, primeiramente ficaria no poder até 1945. Depois
voltaria eleito pelo voto de 1951 a 1954.
Neste
ínterim, sobretudo após 1937, com o chamado “Estado Novo”, adotaria medidas
nazifascistas, inspiradas em Mussolini e Hitler. Claro, que com as devidas
características, varguistas, por exemplo, não teremos um partido específico e
nem o apoio irrestrito das massas. Mas claro, perseguiu também os comunistas,
intelectuais, para variar, e a censura foi violenta.
Vargas
também extinguiu os partidos, nomeou interventores para os estados, com
exceção, de Minas, pois o patense-bondespachense, Olegário Maciel, seu aliado,
seria o único governador a permanecer no cargo até a sua morte em 1933. E um
outro detalhe, até 1942, ora era simpatizante dos nazistas, ora dos
capitalistas.
Enquanto isso,
azeitava ou vaselinava sua relação com os trabalhadores com uma legislação
trabalhista favorável a eles, criando o salário-mínimo em 1940 e a CLT
(Consolidação das Leis do Trabalho) em 1943.
Um fato
interessante, deste período foi a criação em 1932, por Plínio Salgado
[1895-1975], da agremiação fascista, AIB-Ação Integralista Brasileira, chamada
de INTEGRALISMO, apesar de ter apoiado Vargas, o partido foi proibido como
todos os outros partidos, levando ao rompimento com o ditador em 1938. [SOLA, 1985.
P. 256-282]
As hordas
fascistas de Mussolini adotaram um uniforme com “os camisas negras”, o símbolo
dos fascistas era um feixe de varas, “fascis”, atadas a um machado; as hordas
nazistas de Hitler um uniforme com “os camisas pardas”, o símbolo dos nazistas
era a suástica ou a cruz gamada; as hordas integralistas de Plínio Salgado, “as
camisas verdes”, o símbolo dos integralistas foi a letra grega sigma e as
hordas protofascistas de Bolsonaro por preguiça ou mau-caratismo
mesmo, adotaram “as camisas verde-amarelas” da Seleção Brasileira,
como se somente eles fossem os verdadeiros torcedores por um Brasil melhor,
mesmo que agindo como torcidas organizadas do mal. O símbolo dos protofascistas
bolsonaristas até onde eu sei, é uma mãozinha
com o dedo indicador em forma de arminha. Sem contar que todos esses
irresponsáveis inicialmente antes e depois de chegarem ao poder cooptaram o que
de pior havia e ainda há em suas sociedades. Sobretudo oportunistas venais e
gananciosos.
E hoje no
Brasil?
Um
espectro protofascista ronda o Brasil, o espectro do bolsonarismo.
A
história da ascensão do fascismo e do nazismo hoje é por demais conhecida por
todos. Nenhum italiano iria adivinhar o mal que Mussolini causaria e nem os
alemães a desgraça que se abateria sobre eles pós-Hitler. Entretanto, o
fascismo ronda a Itália e já está com as patas em suas instituições. Na
Alemanha, os neonazistas rondam os incautos. Mas os alemães estão vigilantes.
Aliás, alguns animais bolsonaristas, que fazem uso de tudo deturpando tudo, sem
mesmo lavar suas bocas, estão usando uma frase atribuída da Thomas Jefferson,
“O preço da liberdade é a eterna vigilância”, só que eles não sabem ou fingem
não saber, eles candidatos à tirania, que essa frase foi escrita exatamente,
para que homens livres se precavessem contra os tiranos absolutistas.
Entretanto,
Jair Messias Bolsonaro, foi eleito e desde que assumiu a presidência da
República tem demonstrado com suas ações, atos e palavras que quer o poder
absoluto. E, nesse caso, sempre, tenho de repetir aquela velha frase daquele
florentino, Nicolau Maquiavel [1469-1527], “os fins justificam os meios.”, mas
as palavras exatas que ele escreveu em 1513, foram:
“Nas
ações de todos os homens, máxime dos príncipes, onde não há tribunal para que
recorrer, o que importa é o êxito bom ou mau. Procure, pois um príncipe, vencer
e conservar o Estado. Os meios que empregar serão sempre julgados
honrosos e louvados por todos, porque o vulgo é levado pelas
aparências e pelos resultados dos fatos consumados, e o mundo é constituído
pelo vulgo, e não haverá lugar para a minoria se a maioria não tem onde se
apoiar.” [MAQUIAVEL,
1974. p. 93].
E todos e
todas sabem em quem votar e os seus motivos. Meu velho pai, mesmo sem ter o
“primeiro grau”, e sendo um homem rude, tinha um bordão: “Contra a ignorância”,
não há argumento.
E hoje no
Mundo?
Antes de
pegarmos uma jardineira e irmos para os Patos, mais duas ou três palavras do
livro, “Como as democracias morrem”:
“Se, 25
anos atrás, alguém lhe descrevesse um país no qual candidatos ameaçam botar
seus rivais na cadeia, oponentes políticos acusam o governo de fraudar
resultados eleitorais ou de estabelecer uma ditadura e partidos usam suas
maiorias legislativas para o impeachment de presidentes e usurpação de cadeiras
da Suprema Corte, você pensaria no Equador ou na Romênia. Provavelmente, não
teria pensado nos Estados Unidos. [....] Ao longo dos últimos 25 anos,
democratas e republicanos se tornaram muito mais do que apenas dois partidos
competidores, separados em campos liberal e conservador. Seus eleitores
encontram-se hoje profundamente divididos por raça, religião, geografia e mesmo
‘modo de vida’.” [LEVITSKY; ZIBLATT, 2018, P. 161].
Este
livro, de 2018, desses autores não previram, mas felizmente, o fascistóide,
Donald Trump, perdeu as eleições para Joe Biden que assumiu a presidência em
2021. Mas também infelizmente, não previram a eleição de Jair
Bolsonaro. Mas indicaram ali, “os quatro principais indicadores de
comportamento autoritário” em um político, e a carapuça serve direitinho em
Bolsonaro:
“1. Rejeição das regras
democráticas do jogo (ou compromisso débil com elas);
2. Negação da legitimidade dos
oponentes políticos;
3. Tolerância ou encorajamento à
violência;
4. Propensão a restringir
liberdades civis de oponentes, inclusive a
mídia.” [LEVITSKY; ZIBLATT, 2018,
P. 70-1].
PATUREBISMO,
DOENÇA INFANTIL DO BOLSONARISMO?
“Não pode
haver dúvidas, a meu ver, de que os conceitos de Deus, de pátria e de família,
passiveis das mais diferentes interpretações e abertos a vários significados
[...] assumem um prepotente e descarado valor reacionário. As três noções,
reforçando-se mutuamente, tornam-se substância e acabam por indicar, portanto,
ideias dotadas de uma ‘eterna’ consistência própria, indiferentes ao fluxo dos
fenômenos e impermeáveis à mudança histórica. Em outras palavras, se vistos
separadamente, o Deus, a pátria e a família podem ser plurais, dialéticos,
dinâmicos; se declinados no paradigma ternário, tornam-se exclusivos,
absolutos, despóticos. Ou seja, significam que existe um único Deus, que
podemos ter uma única pátria e que só é admissível um único tipo de
família.” Antonio
Scurati – 2022
“Não
existe desinformação inofensiva; acreditar na falsidade pode ter consequências
calamitosas.” Papa Franciso, in: KAKUTANI, 2018.
O
prefeito - “que tem acesso ao presidente Bolsonaro” - dessa outrora
gloriosa e progressista, Santo Antônio dos Patos da Beira do Rio Paranaíba,
pelo menos em seus albores, onde nascemos, não só gravou vídeos em apoio aos
desprojetos do genocida [será mesmo que ele não tem projetos, Mussolini tinha?
Hitler tinha? Franco tinha? Salazar tinha? Vargas tinha?], junto com o atual
governador de Minas, o que parece matuto e capiau, mas não é, como
também arrebanhou uma horda de prefeitos caipiras da região “do Alto Paranaíba”
para um baixa-calças ao “Mito” e mico da caserna, dentre eles, por ordem de
aparição no vídeo que circulou como cloroquina nos momentos mais críticos e
desesperadores dos brasileiros e brasileiras: Matutina, Serra do Salitre,
Tiros, Lagoa Formosa, São Gonçalo do Abaeté, Lagamar, Guimarânea, Presidente
Olegário e Coromandel. Teve um que tinha como pano de fundo um imenso tanque de
guerra. Será que ele pensa em invadir Patos ou a Ucrânia? Ou o Palácio da
Alvorada ou o STF, como aquela turminha do Trump?
Antes
dele, pré-candidatas patenses também gravaram vídeos com o misógino presidente
da República em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres. Uma inclusive
gravou um vídeo fazendo um apelo messiânico, damarico, para uma cruzada
anticomunista.
Sem
contar que pessoas que tiveram seus labirintos históricos sexistas e raciais
renegados em vídeos patéticos, como se tivessem passado por lavagens cerebrais
ou outros tipos de lavagens.
E agora,
no último dia 17/10, as “Mulheres com Bolsonaro”... “em defesa da vida e da
família”...realizaram.. “Primeiro Encontro de Mulheres Patriotas em Patos de
Minas” ... “Vista suas cores verde e amarelo e venha mostrar a força feminina
do nosso país”. Assim mesmo com letra minúscula. E um detalhe, na
“Praça da Catedral”, poucos dias depois do presidente iconoclasta chafurdar no
Santuário de Nossa Senhora da Aparecida, o maior templo católico do Brasil.
Claro,
respeito o direito delas, afinal, minhas conterrâneas bolsonaristas, não se
furtaram ao debate e à visibilidade, ao contrário de minhas conterrâneas
petistas, que ainda não apareceram, ainda.
Mas quase
tivemos, uma nova velha “Marcha da família com Deus pela liberdade”, como a que
ocorreu em 19 de março de 1964, em São Paulo, rumo à Praça da Sé, e que
resultou, não em liberdade, mas vinte anos de ditadura militar. Que atraso
dessas honoráveis senhoras, ainda seguem o lema da velha TFP (Tradição, Família
e Propriedade), fundada em 1960, e manipulada por famigerados generais que
usaram e ainda usam os mesmos argumentos. Qual é mesmo?
DIGRESSÃO:
- desde tempos imemoriais, seres humanos usam a religião para oprimir seus
semelhantes e se manterem no poder. E os sacerdotes e pastores sejam do
judaísmo, cristianismo, islamismo, protestantismo e outros ismos ditos sagrado,
têm sido o azeite para oprimir e explorar quem verdadeiramente acredita em
alguma divindade e em uma vida após a morte melhor que a que tiveram aqui na
Terra. Mas atualmente e há muito tempo, velhacos e vendilhões de templos apenas
ludibriam fiéis para se elegerem e enriquecerem, já que apenas o dízimo e
outras oferendas não satisfazem suas gulas pelo vil metal e outros confortos
terrenos, sejam eles sagrados ou profanos. Amém. Se Cristo ou Lutero
voltassem hoje à Terra pensariam que voltaram foi para o inferno de Dante
Alighieri ou a uma pintura de Hieronymus Bosch,
entretanto, não encontrariam, nenhum político, nenhum pastor evangélico
e outros, todos corruptos – o próprio presidente e sua gangue
pessoal e o centrão, deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores
-, apenas estariam ali, os mesmos que sofreram e foram explorados em vida na
Terra por estes mesmos monstros.
Mas, não posso me esquecer
de um outro episódio desse velho e amado feudo. No dia 17 de setembro, ao
referir-se aos nossos conterrâneos, uma professora e intelectual patense,
talvez um das mais lúcidas das muitas que ainda respiram por aqui, que
sobreviveram à Covid 19, escreveu um pequeno artigo, em alusão ao vergonhoso e
triste de 7 setembro [Das ratazanas podres] do “imbrochável, “A VIRILIDADE DO
MITO E A IGNORÂNCIA DO DEVOTO”, onde dentre outras lamentáveis e verídicas
palavras, ela escreveu:
“Alguns
membros do agronegócio local, homens e mulheres de minha aldeia, mostraram
imagens em profusão no Instagram, semana passada. Animados, vestidos de
verde/amarelo, com bonés, bandanas, bandeiras, botons e sorrisos, embarcavam
para os eventos convocados pelo capitão-presidente-candidato. Não posso deixar
de imaginá-los a gritar energicamente a palavra que acreditam atestar a
saudável vascularização da zona inferior do tronco presidencial. Gritavam alto
e forte, como se isso representasse também a energia libidinal de todos os
machos alfa de caminhonete, botas, fivela e chapéu do Brasil.[...]”
E assim,
essas Senhoras da Catedral, não por coincidência, por suposto, exatamente um
mês depois, no morno 17 de outubro, infestaram e infectaram o adro sagrado da
Catedral e voltam a se manifestar e a defender, não as cores verde e amarelo,
mas “o imbrochável.” Falofilia? Imbrochávelfilia?
E dizem, ou
melhor, alguém que estava lá, presenciou que as nobres senhoras, não
respeitaram o culto religioso que estava em andamento naquele momento e também
os alunos e alunas da Escola tiveram de ser dispensados devido à pacífica
algazarra das Senhoras de Verde e Amarelo. Desta feita em nome de Deus,
perturbaram o culto na Catedral, em nome da Família fizeram com que estudantes
tivessem suas aulas interrompidas e em nome da Pátria usaram as cores
“auriverde pendão da esperança” para fins escusos, ou seja, arrebanhar pessoas
e votos para “o imbrochável”.
Oh! Deus
onde estás que não respondes? Catilinas, até quando abusarão de nossa
paciência?
Eu amo
essa cidade, ela é tipo um laboratório, só que não produz remédio não, nem
vermífugos para tratar Covid, produz criaturas, umas sublimes, outras
diabólicas, anjos e demônios, por assim dizer, umas de QIs elevadíssimos outras
retardadas da cabeça feitas por elas mesmas. E, o que escreveu, o patense,
Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, em seu artigo, “Retrocesso
civilizatório: povo brutalizado.”, sobre o que os bolsonaristas fizeram, estão
fazendo e farão, serve para Patos de Minas: “...uma grande quantidade
de seres teratológicos se sentiram à vontade para assumirem uma versão na qual
ser medíocre é um passaporte para ser medíocre nesse grupo.” Aqui, o
laboratório produz seres teratológicos, ou melhor retira uma pele das serpentes
e elas ficam parecendo novas, todas verde-amarelo-fakes. Eu sou um pouco,
diabólico e retardado, também da cabeça, claro sou eleitor, perdi a noção das
coisas, eu o Juca M. Não é?
Sou uma
espécime que deu errado, mas que ainda penso, para poder existir, um bode
clonado com grandes chifres que se alimenta de cacos de litros de Jack
Daniel’s, garrafa de 51, 29, e puro malte quando tenho oportunidade e de milho
do agronegócio de quinta que não será exportado, mas consumido aqui mesmo… E só
não puxo carroças, porque elas não existem mais. Mas imagino que criaturas
essas criaturas patenses, patifes ou patriotas e outros bípedes, irão gerar de
seus sêmens e ventres? Algumas lerão Mein Kampf, a Bíblia de Estudo/Mensagem,
Olavo de Carvalho ou cartas do Tarô? Ou apenas epitáfios, mais epitáfios, como
se tivesse havida uma peste negra ou uma pandemia...
Repito,
eu amo essa cidade, mas aqui sempre foi um lugar atrasado e sabujal, quando se
fala em questões políticas. Antes a coronelada e suas ilustres famílias
tradicionais se alternavam no poder, majores, capitães que nunca usaram fardas.
Depois a rapaziada ou a velharada e velhacada, do PSD e UDN, fizeram o mesmo. A
seguir, a Ditadura Militar [1964-1985] que silenciou os que sempre lucram e
calou a boca dos que tiveram que calar. De vez em quando aparecia um ou outro,
dizendo acabar com os velhos coronéis, e sob a reluzente e fake roupagem do
novo, mas com carnes carcomidas com o atraso, o conservadorismo e a
ultradireita voraz e inclemente do bolsonarismo mais enrustido ou feroz. Assim
começaram a tecer o mais abjeto paturebismo bolsonarista.
Quantos
desses jovens e velhos, que desfilam em suas camionetes dupladas, com bandeiras
da Nação no capô, e bandeiras do Brasil na fachada de suas mansões e prédios e
treizoitão na cintura, já leram ou lerão um livro? E as respeitáveis senhoras
da catedral, algumas ou muitas com diplomas de cursos superiores, que livros
leram nas últimas décadas? Abaixo apresento algumas sugestões, recentes e
antigas...
Lembrei
aqui das Troianas, de Eurípedes, elas não conjuraram, clamaram e chamaram a
guerra como disse “el jefe” do executivo patense, que bradou às margens
emporcalhadas do Rio Paranaíba como se ainda estivesse em uma irresponsável
assembleia do movimento estudantil e não na administração de uma das mais
importantes cidades de Minas: “A guerra começou.”
Lembrei-me
da troiana Hécuba, que perdeu o marido, as filhas, os filhos, as noras e o
neto, a sua cidade e o solo pátrio, que foi arrasado pelos gregos. As outras
troianas foram escravizadas ou se mataram, para não serem transformadas em
escravas e concubinas. Mulheres honradas. Menos Helena que trouxe os inimigos
para gineceus outrora puros.
Aqui as
patenses do adro chamam para seus lares a guerra, e consequentemente as mortes
de seus entes queridos, porque assim “o que não passará” ordena. Sem
contar as mulheres de Atenas, ou da catedral ludibriadas por seus maridos
imbrocháveis do Alto Paranaíba. Algumas, fazem apenas parte daquele
laboratório, de um departamento chamado, fogueira das vaidades. Mas lembrem-se
do: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.” [Vanitas vanitatum, et omnia
vanitas – Eclesiastes, 1:2]. E lembrem-se patenses da Catedral e seus
maridos, que essa cidade, não é mais curral, não é só de vocês e nem nunca
será, isso aqui não é o seu Porto Real, o seu “Kings Landing”, não. Qualquer
dúvida, para esclarecer a ingente luta de nossos antepassados para que essa
Catedral fosse erguida, é só consultar, dentre outros os livros de OLIVEIRA
MELLO, 1983; FERNANDES, 2012 e o de QUEIROZ, 2015. E provavelmente, todos e
todas vocês sequer estavam no canal seminífero de seus e nossos imbrocháveis
ancestrais que edificaram, não só esse majestoso e respeitável templo neogótico
e outros, destinados a outros cultos e sem contar, nossa avenida Getúlio Vargas
[aliás um ex-ditador fascista], casas de moradas, edifícios comerciais, becos e
vielas, e alguns butiquins, é claro.
Repito,
amo essas minhas plagas, gente de mãos calejadas e mulheres virtuosas, mães de
filhos e filhas da mesma estirpe, simples, mas honradas. São
Calpúrnias, verdadeiras, não precisam parecer honestas porque elas sempre foram
honestas. Aqui “nos Patos” estão depositadas minhas memórias, meu passado, meus
antepassados e meus sonhos e ideais.
Mas essa
“nossa querida Patos de Minas”, para citar alguns poucos exemplos, sempre votou
na reação e no conservadorismo, patriarcal, racista, machista e escravocrata
[quem se lembra de Madalena? A senzala dela ficava ao lado da Cadedral...] [Aliás, aqui a sociedade não mudou nada, a casa grande, aliada da igreja e do patriarcado, perpetuam as senzalas...], que
pouca coisa ou quase nada trouxe para cá. Votaram em Collor, Jesus
amado. Votaram em Caiado. [desculpem a cacofonia inevitável.] Etc., Etc...
Mas nossos
varões ilustres sempre foram assim, uns oportunistas, outros ratazanas e outros
covardes. Outros poucos exemplos, porque são muitos, foi quando Vargas, que já
estava no poder desde 1930, depois de ludibriar seus amigos integralistas
decretou o Estado Novo uma ditadura fascista no dia 10 de novembro de 1937, que
duraria até 1945 quando ele foi deposto.
DIGRESSÃO
- E também, não se iludam, o paturebismo ou o fascismo patense não nasceu nos
últimos anos não, com os “outdors” de alguns bolsonaristas de “vanguarda” e nem
com as últimas eleições municipais não, ele teve sua gênese com a criação da
“Legião Mineira”, em fevereiro de 1931, durante o governo do patense que também
não é patense, mas de Bom Despacho, o “Presidente Olegário”, ou Olegário Dias Maciel.
Assim, com o beneplácito de Olegário, os “legionários” moveram violenta
perseguição aos adversários. “Além disso, criaram um cargo
paramilitar semelhante ao das organizações fascistas europeias, adotando
inclusive o uniforme cáqui que envergavam os nazistas em ascensão na Alemanha.” [ABREU, 2001.P. 3418]
“Getúlio Vargas gostava de ter poder e após
governar provisoriamente [de 1930 a 1934] e constitucionalmente ele queria ter
poder total. E para isso articulou “maquiavelicamente” e no dia 10 de novembro
de 1937, fez publicar no Diário Oficial da União uma nova Constituição, cercou
e dissolveu o Congresso Nacional e anunciou em cadeia de rádio o Estado Novo,
um regime ditatorial que duraria até 29 de outubro de 1945 quando ele seria
deposto pelas forças armadas.” [OLIVEIRA MELLO;
OLIVEIRA; SILVA, 1996. p. 225]
Assim, já
que havia sido indicado para ser interventor do município em 1930 por Getúlio
Vargas, o prefeito Camundinho, como era chamado Clarimundo José da Fonseca
Sobrinho, permaneceria como um peão, um títere, também depois de 1937, até a
deposição de Vargas. Ele e todos os políticos ou quase todos enfiaram a viola
no saco e as mãos nos bolsos e tiravam apenas para aplaudir, Vargas, o
imbrochável de 1930 a 1945... Entretanto, ele voltaria em 1950 e, em 1954,
meteria uma bala de 32, diga-se de passagem, em seu peito varonil de gaúcho de
São Borja. Iriam tirar ele do poder novamente, preferiu suicidar-se.
DIGRESSÃO - Em
2022, publicou-se no Brasil o livro, “Doze Césares”, livro genial da historiadora
britânica também genial, Mary Beard, que nos mostra não só os bustos e estátuas
de césares pequenos e grandes, mostra também o fim que levaram esses 12
tiranos: 8 foram assassinados, 3 se suicidaram e só um morreu de morte natural.
Mas o destino de tiranos e genocidas em todas as épocas não foi e será sempre
esse? Mussolini foi linchado e exposto em praça pública juntamente com sua
amásia, Clara Petacci; Hitler suicidou-se com um tiro na cabeça, Eva Braun sua
esposa suicidou-se com veneno ao seu lado, para ficar apenas com esses dois
genocidas “patriotas”, insanos e patéticos...
Depois,
quando no dia 31 de março de 1964, com um Golpe, os militares com o apoio, como
sempre de empresários oportunistas, deram um golpe e depuseram o presidente
João Goulart. Assim começaria uma noite indescritível de mais de vinte anos. Os
partidos foram extintos, criaram outros de mentira e eleições mais mentirosas
ainda continuaram existindo até à redemocratização, que querem destruir de
novo. Os que eram ricos, ficaram ainda mais ricos e os mais pobres caíram na
miséria.
E apenas
para constar, porque os mais novos nunca souberam e os mais velhos fizeram
questão de esquecer, neste triste
período cinco militares exerceram a presidência da República eleitos
indiretamente: Marechal Castello Branco (1964-1967); General
Costa e Silva (1967-1969); General Emílio Garrastazu Médici (1969-1974); General
Ernesto Geisel (1974-1979); General João Baptista de Oliveira
Figueiredo (1979-1985).
E quem
era o prefeito neste período era Pedro Pereira dos Santos, e assim, de cabeças
baixas como sempre, os patenses do executivo e legislativo e os “donos da
cidade” receberam o golpe de braços abertos, a vergonha, deixou os aposentos do
executivo e do legislativo, como hoje, e resumidamente foi assim que aconteceu
em 1964:
“A Câmara
estava em recesso, quando volta, convocada em sessão extraordinária, no dia 2
de abril de 1964, através do Ofício 480/64 do Prefeito Pedro Pereira dos Santos
que, inclusive, logicamente se encontrava presente. Esta convocação foi “em
virtude do estado de emergência em Minas Gerais, agravado com a atual situação
nacional e visando ‘manter a tranquilidade e a
calma na família patense’.”
“Usa
da palavra, sequentemente, o vereador Dr. Mário da Fonseca Filho para elogiar a
atitude tomada pelo Exmo. Sr. Dr. José de Magalhães Pinto,
Governador do Estado de Minas, [um dos líderes golpistas, tipo o Romeu Zema
daqueles dias] nos acontecimentos políticos que estão a abalar a Nação
brasileira, requerendo, ao final, fosse-lhe enviada uma mensagem de aplausos e
solidariedade do Legislativo Patense. Em discussão, manifesta-se o vereador
José Anicésio Vieira que subscreve integralmente, em nome da bancada
pessedista, o requerimento. O vereador Hilário André de Oliveira apresenta uma
emenda, no sentido de que tal mensagem fosse, igualmente enviada, aos
Governadores dos Estados de São Paulo, Goiás e Guanabara e ao General Amaury
Kruel. [outro golpista]Em votação, foram aprovados o requerimento e sua emenda.
Sequentemente o vereador José Maria Vaz Borges requer a inclusão, nos Anais da
Câmara, da ‘Proclamação’ do Sr. Governador de Minas, publicada no jornal
‘Estado de Minas’ no dia 31 de Março, próximo passado, apresentando ainda o
seguinte requerimento: ‘Exmo. Sr. Presidente. Exmos. Srs. Vereadores; No dia 14
de julho de 1932, o então Presidente Olegário Dias Maciel, assinava, em nome
dos mineiros, em nome de Minas Gerais, uma proclamação, na qual iniciava assim
dizendo; ‘Minas ainda uma vez cumprirá o seu dever. E o dever de Minas, neste
momento, é aquele sagrado impulso que a compeliu, a 3 de outubro de 1930, para
a revolução.’ Agora, Sr. Presidente e Srs. Vereadores, vendo ser assinado pelo
Senhor Governador do Estado, o Eminente Dr. José de Magalhães Pinto, uma
proclamação aos mineiros, cujas palavras ecoaram pelo Brasil afora, alertando
as forças vivas da nacionalidade e da democracia. Eu, político que não comungo
com os mesmos propósitos partidários do Senhor Governador do Estado de Minas,
no entanto, vejo nesta hora grave da Nação, um só objetivo, que é a
consolidação ou a reimplantação da democracia em nossa Pátria. Muita vez já
discordei do Senhor Governador de Minas e é, por isso mesmo, um propósito
elevado, sincero, que venho, em meu nome pessoal, parabenizar com todas as
medidas tomadas e executadas pelo Sr. Magalhães Pinto, em defesa da legalidade,
em defesa da paz, da tranquilidade de nossa gente. Oxalá, Sr. Presidente e Srs.
Vereadores, que, desta grande arrancada cívica, iniciada em Minas Gerais,
possamos usufruir dias melhores para o nosso povo, hoje sofrido e espoliado,
cujas causas a nossa pouca inteligência está longe de perceber, de compreender.
Que o novo estado de coisas possa ser, de fato, a concretização de nossos
anseios, a libertação de nossa terra, e traga-nos a felicidade que procuramos e
sonhamos nesta terra de Santa Cruz. Sr. Presidente, ao final requeiro que seja
inserido em Ata, nesta sessão Extraordinária de nossa Edilidade, um voto de
aplauso ao Sr. Governador do Estado de Minas, pelas medidas adotadas e pela
defesa do Regime, bem assim pela proclamação do dia 30 de março, cuja íntegra
solicito seja inserida nos Anais de nossa Casa.”. [...]
Vereadores
presentes nesta reunião: José Daniel Beluco, Olegário Caetano Porto, José
Anicésio Vieira, Mário da Silva Filho, Zama Maciel, Antônio Maria de Souza,
Hilário André de Oliveira, José Maria Vaz Borges e Antônio Cirino Sobrinho.
[...]
No dia 2
de maio aconteceu “1ª sessão da 2ª Reunião Ordinária de 1964”, no entanto os
trabalhos foram suspensos, “por falta de matéria a ser estudada”.
O
Presidente, em sessão de 18 de maio, dá conhecimento à Casa da viagem que ele,
juntamente com o Sr. Prefeito Municipal, fizeram à Capital da República, com o
fim de convidar o Chefe da Nação a assistir às solenidades que se verificarão
por ocasião do aniversário da Cidade, no dia 24 de maio próximo
vindouro, esclarecendo na oportunidade, que o convite foi recebido pelo Chefe
da Casa Civil da Presidência da República, pois se encontrava
ausente da Capital o Exclentíssimo Sr. Presidente da República.” [OLIVEIRA
MELLO; OLIVEIRA; SILVA, 1996. p. 327-330]
Assim, mais uma vez, em 1964, em nome da democracia, acabaram com ela...
E só.
Entretanto,
como disse o Prof. Daniel Amorim Gomes, vereador em Patos de Minas, e um dos
poucos que naquela casa cumpre com honra, lucidez e dignidade o papel para o
qual foi eleito:
“Eu não
acho que política seja uma guerra. Mais que isso, eu não acho que eleições possam
ser comparadas a uma guerra. As eleições são chamadas comumente em nosso País
de a festa da democracia. Quem diz, começou agora a guerra, se sente autorizado
à violência representadas em inúmeras falas do atual chefe do Executivo
Nacional. Senhor Luís Eduardo Falcão, eleição não é guerra, o Senhor
recentemente declarou aqui em nossa cidade que estava começada a guerra.
Eleição é momento de disputa de projeto, eleição é momento de disputa de
concepção de País, de disputa de que se quer para o Brasil, por isso desafio o
mais radical bolsonaristas dessa casa [...] a elencarem para mim duas políticas
robustas formuladas no governo Bolsonaro pra área da educação, digo ainda, a
condução do atual presidente na pandemia foi responsável direta por mais de cem
mortes, digo ainda, o atual presidente é responsável por levar metade dos lares
brasileiros a passarem pela situação de insegurança alimentar, seja ela grave,
intermediária ou leve, por essas e outras razões, eu como homem público, eu me
sinto no dever de declarar aqui como muita serenidade o meu voto no
presidente Lula 13.”
Então, no
dia 30 de outubro vamos para as eleições para votar e não para a guerra. São os
meus votos, de patense, de mineiro e de brasileiro!
VOTO
LULA, DIGITAREI 13.
POST
SCRIPTUM I
Quero
aproveitar aqui, para sugerir aos que leram este texto um filme que estreou
essa semana no Prime Vídeo: “ARGENTINA, 1985”. Segundo a apresentação do filme,
“ ‘Argentina, 1985’ é inspirado na história verídica de Julio Strassera, Luis
Moreno Ocampo e sua equipe de jovens juristas, heróis improváveis que travam
uma batalha de Davi e Golias na qual, sob ameaças constantes e contra toda as
possibilidades, ousam processar a ditadura militar mais sangrenta da Argentina
e embrenham-se numa corrida contra o tempo para fazer justiça às vítimas dos militares”.
O
filme trata do julgamento de 9 militares-presidentes sádicos torturadores que
depois de um golpe militar em 1976, implantaram uma perversa ditadura até 1983.
Talvez, os que negam que no Brasil teve um ditadura militar mais longa e cruel
[1964-1985] e/ou, os que querem a sua volta, se comovam ou pensem melhor em
implantar outra aqui, já que o atual presidente além defender uma ditadura,
elogia os torturadores daquele período mais sombrio de toda nossa História.
POST
SCRIPTUM II
Apenas
para lembrar, outras das centenas e centenas de atrocidades desumanas cometidas
pelo nazifascismo em seus laboratórios da perversidade:
“A
Segunda Guerra Mundial despontou após a invasão nazista na Polônia em setembro
de 1939 [...] Durante meia década seguinte, os nazistas e seus aliados matariam
mais ou menos 200 mil ciganos, 200 mil “deficientes” físicos e milhares de
homossexuais, esquerdistas muitos outros dissidentes, enquanto a “solução
final” de Hitler assassinou 6 milhões de judeus em câmaras de gás, esquadrões
de fuzilamento, desnutrição e falta de tratamento médico nos imundos guetos e
campos de concentração, espancamentos ou trabalhando com desespero suicida até
a morte. [...]
Então, essas são as apostas dessa conversa. Quando falamos de fascismo, não
devemos nos afastar muito, no pensamento, das pessoas que coletaram os cabelos,
dentes de ouro e sapatos daqueles que eles exterminaram. Quando falamos de
antifascismo, não devemos esquecer que, para muitos, a sobrevivência foi a
personificação física dessa luta. [...]
Finalmente, vamos acender uma vela para todas as vítimas do Holocausto,
incluindo aqueles que caíram nos levantes armados nos campos de concentração e
guetos de Bialystok, Varsóvia, Cracóvia, Bedzin, Czestochowa, Sosnowiec,
Sobibor, Treblinka e Auschwitz.” [BRAY, 2019. P. 101-2]
POST
SCRIPTUM III
Alertado pelo professor Altamir
Fernandes de Sousa por dois motivos. O primeiro é que não respondi
condignamente e claramente a questão: Em Patos tem fascistas? E outra que
eu ignorei sobre o Hino de Patos de Minas.
Primeiramente,
quando menciono que, "E também, não se iludam, o paturebismo ou o
fascismo patense não nasceu nos últimos anos não, com os “outdors” de alguns
bolsonaristas de “vanguarda” e nem com as últimas eleições municipais não, ele
teve sua gênese com a criação da “Legião Mineira”, em fevereiro de 1931,
durante o governo do patense que também não é patense, mas de Bom Despacho, o
“Presidente Olegário”, ou Olegário Dias Maciel. Assim, com o beneplácito de
Olegário, os “legionários” moveram violenta perseguição aos
adversários. “Além disso, criaram um cargo paramilitar semelhante ao
das organizações fascistas europeias, adotando inclusive o uniforme cáqui que
envergavam os nazistas em ascensão na Alemanha.”, respondi mais ou menos
que Patos de Minas, teve fascistas, e que o mais ilustre adepto da Legião
Mineira, Olegário Maciel, era representante do Integralismo, o nosso fascismo
meia boca.
E
segundo, também, fui alertado, que o nosso Hino Municipal de Patos de Minas,
escrito por Zama Maciel, sobrinho de Olegário Maciel, e escrito em 1968, traz
uma frase que é repetida quatro vezes no Hino do fascismo de Benito
Mussulini, Giovenizza, de 1922: "Primavera de beleza." E
um outro detalhe, a música composta pelo Bispo Dom André José Coimbra, é um
plágio escancarado da música do Hino Fascista. Ou seja desde a década de
vinte, os fascistas estão entre nós. E cem anos depois, eles brotaram
como cogumelos venenosos antes e depois de 2022, alguns foram eleitos,
outros foram presos e ainda permanecem, por tentativas de Golpe de Estado.
A
banalidade do mal, como preconizou Hannah Arendt, faz parte desses
insensatos, insanos e perigosos conterrâneos.
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E quem se
interessar sobre uma pequena bibliografia do LULISMO, BOLSONARISMO E OUTROS
FDPUTISMOs, é só consultar:
http://eduardotouca.blogspot.com/search?q=lulismo
José Eduardo de Oliveira é licenciado
em História pela Universidade Federal de Ouro Preto
PUBLICADO ORIGINALMENTE EM JORNAL DE PATOS:
https://www.jornaldepatos.com.br/2022/10/fascismo-nazismo-bolsonarismo-e.html